Na barra do São Mateus, o rio do mesmo nome se encosta, se enrosca, namora o Capivara, o de barrentas águas.
Nas margens, borboletas vestidas de santinha e a púrpura flor de juá, de ventre amarelo, se exibindo em seu pedestral de espinhos.
O coro das cigarras, a silenciosa oração das águas, a hipnótica reverência dos pescadores e das flores rosas da acerola, homenageando a vida.
Morte, silêncio, cio, solidão, esquecimento - não seria o rio espelho do movimento incontinenti do sangue e da vida? -
Para depois da ponte, as águas dos dois rios se encontram - a vermelha do Caiçara e a translúcida do São Mateus;
A barrenta das lavouras e a que desliza em leito de limpas pedras - lá elas se unem e se casam.
Nelas nascem os peixes - profundos, introspectos, taciturnos, carrancudos...
Mas só depois da ponte onde um novo rio continua, fugindo entre árvores e mistérios, desaparecendo na curva da terra
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