Transportando-me no tempo para o momento em que ora escrevo, quarenta anos depois, sinto muito a falta daquele que preenchia de sentido os momentos vividos - o meu pai - que se foi em janeiro de 2003, com setenta e três anos.
Adormeceu, simples como veio ao mundo, sem nenhum adereço especial, sem nenhuma riqueza material acumulada.
Foi enterrado com o terno surrado, sapatos já gastos, e eu o observava sem entender como a morte podia apagar uma vida tão densa assim - como se apaga uma vela.
O sopro súbito tornando o corpo imóvel, tão pequeno para o tamanho que foi em vida; tão estéril para as tantas vidas que alimentou.
Talvez tenha ido realizado, com os filhos educados e bem encaminhados. Talvez tenha até antecipado a hora, de tão cansativa e atribulada a vida.
José Bitu Moreno
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