Meus amigos quero hoje render minha homenagem às mães. Sou um pai, mas reconheço que a maternidade é o mais próximo do divino que existe. Eu me rendo a isso e reverencio e me afasto um pouco, dou passagem, para que os meus filhos sejam banhados pela maravilhosa luz da maternidade. Porque antes de tudo, desde quando tudo começou, sou um filho, recebi o amor incondicional de uma mãe, que me tornou humano, e, como tão bem falou André Comte-Sponville:
"Antes do homem, ou seja, antes de um ser humano qualquer, há uma mulher. Sempre. O pai? A rigor, seria possível prescindir dele.....É frequente não o conhecer, ele mesmo ignorar sua fecundidade, sua paternidade, sua descendência.....
Com a mãe é diferente. Como todos os mamíferos ela não se contenta em transmitir a vida: acolhe-a, carrega-a, nutre-a. Como ela poderia ignorá-la por completo? Entre os humanos, deverá proteger o bebê - às vezes, inclusive, contra o pai - durante anos, niná-lo, consolá-lo, lavá-lo, amá-lo, falar-lhe, escutá-lo, educá-lo...A humanidade é uma invenção das mulheres. Mesmo em nossas sociedades modernas, a mãe quase sempre é o primeiro amor e às vezes, o último. É porque foi ela quem primeiro amou.
Note que pouco importa se se trata ou não da mãe biológica....Uma mãe adotiva é uma mãe. Uma mãe biológica só é realmente mãe pelos cuidados dados, pela atenção, educação, pelo amor"....Mas mesmo assim, mesmo ignorando tudo sobre os filhos (se os abandonou, se os tomaram dela)", continua Comte-Sponville, "não pode ignorar que os carregou no ventre e os colocou no mundo. A maternidade está inscrita em seu corpo (enquanto a paternidade só o está em papéis ou genes). Ser pai é uma função inicialmente biológica e depois simbólica. Ser mãe, uma função fisiológica, alimentar, vital. O pai é biologicamente necessário. A mãe, ou uma mãe, humanamente quase indispensável".
O que mais posso falar?
José Bitu Moreno
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