quinta-feira, 26 de junho de 2014

geografia da loucura

             Ele cantava, em voz de tenor, músicas antigas sobre amores desfeitos e  outras dores da vida. Dizia-se que foi muito bonito. Quando saía A passear pelas ruas da cidade, nos dias de mansidão, trazia os cabelos lisos penteados para trás, sob efeito do gel “Brilhantina”, muito usado na época e vestia um paletó branco, com cravo na lapela. Contava-se ter sido aluno brilhante que alcançou os bancos da faculdade, quase um doutor, quando a imprevisibilidade do destino o traiu e os livros, portas do saber, levaram-no ao turbilhão misterioso da loucura.
             -“Cuidado com os livros, quem muito lê, quem muito estuda, pode enlouquecer!”
             Assim se falava, comentando o caso. Perdeu-se, pois, nos labirintos que a sabedoria esconde, sendo cuspido depois como um inválido.

José Bitu Moreno

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