quinta-feira, 19 de junho de 2014

paragens de descomunais espaços



"Paragens de descomunais espaços. Revestidos por armaduras de aço, emanando intensa luz e calor, combativos dias davam lugar a reticentes e langorosas noites que se aproximavam em silenciosos passos, mas com tal envergadura que logo tudo era preenchido e calado. O céu abria o manto de tanta estrela cerzido, que ameaçava por vezes ceder... As pessoas em respeito ao espetáculo, reuniam-se em pequenos grupos e contavam, em voz miúda, de problemas que com as mãos abarcavam e também daqueles que nada entendiam, que tendiam ao sobrenatural. As pausas eram quebradas pelos ruídos do mato, pelo crepitar do fogo nos terreiros, pelo mugir solitário do boi no curral, ou pelo  surgir súbito do cavaleiro, que da estrada se detinha para saudar. Essas noites, vivi na casa da fazenda da minha avó materna, na casa branca da avó Biluca, quando lá ia de férias."

José Bitu Moreno

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