quinta-feira, 19 de junho de 2014
desenlaçando lembranças
"No quarto de dormir, ficavam quatro baús grandes. Aos domingos, manhã ainda fresca e cheirosa pelo orvalhado perfume das flores, tomado o banho de cuia e sabão de pedra no cacimbão, encontrava vó Biluca, a vó Branca, sentada no chão, desmontando os baús, peça por peça, com gestos lentos, pensativa, como viajando em lembranças. Assim, desenlaçava pacotes, abria pequenas latas coloridas, desfazia trochinhas de pano cheirando lavanda, reencontrava fotos, velhos perfumes, sabonetes no pacote original; marcas de momentos perdidos, que os envolviam por horas a fio, como mansa e lenta poeira a se acomodar. Depois, lembranças abertas e desfeitas, eram de novo embaladas e meticulosamente guardadas."
José Bitu Moreno
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