Páginas do Zé
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Palavras do pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém:
Vaidade das vaidades, diz o Pregador, vaidade das vaidades; tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho que realiza sob o sol?
Uma geração vai, e outra geração vem: mas a terra para sempre permanece.
O sol também se levanta, e o sol se põe, e apressa-se a voltar ao lugar onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; circula continuamente, e volta formando os seus circuitos.
Todos os rios correm para o mar; contudo o mar não se enche; ao lugar de onde vêem os rios, para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, tampouco os ouvidos se enchem de ouvir.
Há alguma coisa que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já existia nos tempos passados, que foram antes de nós.
Não há lembrança das coisas que precederam; tampouco haverá qualquer lembrança das coisa que hão de ser, entre os que hão de vir depois.
Eu, o pregador, fui rei de Israel em Jerusalém.
E, de coração, busquei, pela sabedoria, conhecer tudo quanto sucede sob o céu: esta árdua tarefa Deus atribuiu aos filhos do homem, para nela os exercitar.
Vi todas as obras que se fazem sob o sol; e eis que tudo é vaidade e aflição de espírito.
Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode contar.
Falei com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e tenho mais sabedoria do que todos os que me precederam em Jerusalém; sim, meu coração continha grande sabedoria e conhecimento.
E, de coração, busquei adquirir a sabedoria, e reconhecer o desvario e a loucura; percebi que são também aflições de espírito.
Porque na grande sabedoria há grande pesar; é aquele que cresce em saber, cresce em dor.
(ECLESIASTES 1)
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Não é depressão o que sente, só tristeza -
Com medo de se perder no caminho da tristeza? -
E cair - no poço, no precipício? -
De todo modo já faz esse caminho e o remédio que o médico prescreve, ensombrece e adormece a alma -
Não seria melhor despertar? -
Não vê que o tempo passa sem que enxergue o tanto de vida que há na tristeza? -
E de tristeza na alegria? -
Relembre: há tempo para tudo sob o céu, e os tempos se alternam, sempre, como os tons de uma bela música
José Bitu Moreno
segunda-feira, 18 de maio de 2015
num oásis do deserto sírio, em Palmira, sobrevivem as sete derradeiras íris-eremitas -
as últimas desde as antigas do Egito, as dos hieróglifos -
no inverno elas migram para as montanhas da Etiópia -
mas enquanto voam pela península Arábica, são abatidas, uma a uma, por caçadores sauditas -
só restam sete agora, talvez apenas cinco ??? -
e não muito longe dali, vindas do Iraque, milícias do estado islâmico -
tentam destruir as cidades de Tadmur e de Palmira, com suas ruínas históricas -
sem memória, roda desfigurada a Terra, e passam os séculos, céleres
domingo, 17 de maio de 2015
O médico se encolheu...se encolheu, dobrou sobre si mesmo
Como entre a quarta e quinta semana, o feto
De volta ao útero, à célula, ao seio materno
De volta à Terra
Vai morrer, ele sabe
Sabe da doença no corpo
Dissolvendo, anulando, matando
E do todo sofrimento que advém
Ele sabe
Embora o tanto que leu sobre a vida
Nada sabe da morte
Tentou se aprofundar nos estudos
Houve a época
Mas às primeiras ondas da absoluta incerteza, entre as células
Teve medo e apavorado
Recuou
Agora não quer tratamento mas
A casa, a família, o esquecimento
O cachorro ao lado, o canto dos pássaros
E a certeza de que nada sabe
José Bitu Moreno
terça-feira, 5 de maio de 2015
para reflexão
Meus amigos,
copiei um curto trecho desse interessante diálogo entre Jamsa, chefe da guarda do sultão, e Sanjam, uma entidade que lhe apareceu, no livro de Naguib Mahfouz : Noites das mil e uma noites (tradução - Georges Fayez Khouri e Neuza Neif Nabhan. É um trecho extremamente rico e atual, nesse contexto de corrupção em que vivemos. Para reflexão!
..............
- Você também faz parte do grupo de corruptos.
- Sou incomparável no modo como cumpri meu dever,
- E o dinheiro ganho de forma desonesta?
- São apenas migalhas que caem da mesa dos grandes.
- Uma desculpa vergonhosa.
- Eu vivo no mundo dos humanos.
- E o que você sabe a respeito dos grandes?
- Os mínimos detalhes. Não passam de ladrões e cafajestes.
- Mas você os protege com sua espada afiada -disse a voz, zombeteira - e persegue seus inimigos, que são gente honrada, de opinião e discernimento.
- Estou cumprindo ordens e o meu caminho é claro.
- Não, você está sendo perseguido pela maldição de proteger criminosos e perseguir gente honrada.
- Qualquer um que pense ao realizar uma tarefa como a minha estará perdido.
- Então você é um instrumento irracional.
- Minha mente está exclusivamente a serviço de meu dever.
- Uma desculpa que tende a anular a humanidade de um homem.
.............,
sexta-feira, 1 de maio de 2015
caiu o dentinho
Cacá
Eu soube: caiu o seu dentinho, Enquanto comia uma maçã;
Correu para mostrar à professora;
Logo vieram os amiguinhos,
Enquanto você sorria orgulhosa;
Agora vai virar ouro, a mãe disse;
Agora foi embora aquele mais um,
Que o papai tanto admirou,
E quanto tempo já passou.
Filhinha, mais devagar,
Mais devagar com o andor;
Já estou a mais do meio da estrada;
E vem você atrás correndo rápida,
Correndo tão rápida.
Filhinha, sabe o que sinto agora?
Um misto de alegria e de dor.
José Bitu Moreno
Assinar:
Postagens (Atom)