segunda-feira, 9 de junho de 2014

sobre as manhãs



"Eu sempre as vejo da varanda das lembranças. A minha infância está impregnada de manhãs frescas e cheias de claridade. Minha alma quando se isola de mim e se recolhe ao labirinto, faz com freqüência nas manhãs, após noites mal-dormidas.
Pode ser o jeito como o sol nasce, entre nuvens, no contexto do céu. Ou a textura da brisa, o perfume que traz, a forma como me acaricia. Ou mesmo o canto do pássaro, ou a tristeza que se me enrosca como um gato, buscando conforto...Vejo-me então transpondo o portão, como o de Alice, e reencontrando esboços de sensações que um dia tive.
As manhãs me lembram o verde que nasce, após noite de chuvas e tempestades. As manhãs são as crianças despertas, a adolescente que se olha ao espelho, sacudindo os cabelos e decifrando o eterno, são os rastros dos amores noturnos no corpo redivivo, nos lençóis desarrumados, é a nudez do corpo feminino saindo do banho fresco e perfumado.
Elas nascem diferentes quando são os galos que as acordam, elas são puras e angelicais quando banhadas pelo orvalho, ou quando nas invernadas brotam da terra fertilizada, da terra agradecida.
Sentam-se na rede de sol a sol, serra a serra, balançando-se ao sabor do vento, tocando nuvens...convidando-nos a nada ser, a nada fazer..."

Nenhum comentário:

Postar um comentário