"Sentado nos seus retorcidos galhos, podia ver as “lavadeiras” cantarem ao entardecer, pássaros que de tão leves, tao brancos, tão puros, mais pareciam flutuar nas cercas de madeiras escuras e toscas, que delimitavam as plantações. Mas o mesmo canto dos pássaros, o bramir das vacas e a poeira do entardecer - dourada de esmaecida luz e singela poesia - enchia os ares e amainava tudo o que era tosco e o bruto. As vozes das pessoas tambem perdiam em aspereza, sob a beleza e a magia do sol se pondo. Hora de ir para casa, tomar banho no cacimbão, depois jantar - arroz de leite, misturado com carne assada, desfiada. Com o prato no colo, sentava na pequena cadeira de criança, na varanda, de onde divisava as plantações, ou o devastado pasto em tempos de seca, enquanto a estrada se enchia de pessoas retornando para casa, vindos da cidade. O gado ficava agitado nos currais e os pássaros alvoroçados, na expectativa talvez da temerosa noite ou despedindo -se do abençoado dia"
Do livro: "Camisa nova, seu doutor?" de José Bitu Moreno
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