quinta-feira, 19 de junho de 2014
sobre a morte de Brian, um anjinho boliviano
Brian estava chorando no colo da mãe, assustado com os ladrões;
Brian tinha apenas cinco anos e era muito o barulho, o medo, a violência:
"Não matem a minha mãe"
O cano da arma espreitando, sequioso, ameaçando:
"Não me matem, não me matem, não quero morrer"
O choro, a droga, a maldade e o disparo - a língua de fogo exterminando;
O cérebro expelido como estilhaços
na parede, no chão;
A alma esfarelada, o corpo inerte, o sangue de Brian na roupa da mãe;
A pequena, a humilde mãe boliviana, a ferida eterna no peito - a torneira aberta de dor...
Vieram pra São Paulo buscar o futuro, fazer de Brian um homem livre.
Justiça para os imigrantes, Brasil!!!!
Basta de hipocrisia, de preconceito, de racismo!!
As velas acesas vigiam no asfalto remendado, rezam em silêncio a alma de Brian;
A mãe chora o filho crucificado;
As mães do mundo inteiro estão de luto.
Enquanto isso, no bairro pobre onde Brian vivia, a mancha de sangue já está sendo lavada e em breve outros bolivianos virão.
José Bitu Moreno
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