quinta-feira, 26 de junho de 2014

história de uma brava corveta que zarpou para salvar náufragos na isolada Antártica



Numa fria manhã de outubro zarpou a corveta rumo aos mares austrais.
Do continente gelado trouxe vidas, a pequena corveta Uruguay hoje museu
a se balançar nas águas do Prata;
As pequenas marolas que lhe batem no casco, o cantar casual dos pássaros nas margens
O bater de remos de esportistas nas águas - nada nem de longe lembra o vigor, o destemor
O ranger das madeiras contra geleiras, o jogar-se impetuoso contra as ondas
Pelos mais frios, traiçoeiros e tempestuosos mares
Até o estreito Bransfield no mar de Larsen,na Ilha de Snow Hill, começo do fim do mundo;
Foi, voltou, destemido, trazendo a tripulação salva, herói do impossível
Mas agora só se balança, de leve, dançando no dorso camarada do rio
Poucos dos turistas que nele entra sequer imagina o que um dia foi.

José Bitu Moreno

Nenhum comentário:

Postar um comentário