domingo, 22 de junho de 2014
bola de meia
" A bola era de meia, preenchida por algodão socado, tiras de pano, outras meias, ou o que houvesse de macio que não machucasse. O campo eram as calçadas desiguais, as ruas de terra batida ou, até mesmo, as de paralelepípedos mais uniformes. As traves do goleiro eram tijolos, pedras, ou gravetos fincados no chão. O horário, qualquer um. E assim, tinha-se uma partida de futebol. Um problema era o tamanho pequeno da bola, o fato de correr rasteira, sem quicar, e a irregularidade do campo, o que ocasionava frequentes topadas. Saía-se então com a unha levantada, sangue escorrendo pelos cantos, geralmente no dedão do pé direito. Bom, na verdade, não era bem contusão, fazia até parte, pela freqüência com que ocorria.
Impulsionados pela mão direita, pneus grandes e gastos de carros eram conduzidos pelas calçadas, virando nos becos, seguindo caminhos imaginários, demorando-se nas subidas, correndo disparados nas descidas, respondendo à velocidade e maestria do bom motorista. Eram nossos carros de corrida e o autódromo era a cidade. Com pneus menores, de velocípede, se utilizava um tipo de armação de arame para conduzí-los, de forma que ficavam firmes, velozes, obedientes, sujeitos a manobras inesperadas, na medida justa da competência da mão condutora.
Bola de meia, carrinhos de caixa de fósforos, bonecas de espiga de milho, cavalos de pau; bodoques e baladeiras feitas à mão, peões de madeira, bolinhas de gude, boiadas de barro, corridas de pneus... Toda infância utilizamos brinquedos que nós mesmos construíamos."
José Bitu Moreno
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