quarta-feira, 18 de junho de 2014
Deus ajude as nossas crianças
“O vôo das andorinhas no céu azul, de nuvens brancas A igreja no espaço retangular como o quadro de uma santa vestida em azul e branco. O sol refletindo-se nas pedras das ruas...”
A voz pelo telefone murmurando:
- ”Nosso primo e amigo morreu”.
Ele, moço alegre, talentoso, elegante, o bom primo, companheiro de tantas farras. Parecíamos eternos na juventude. Depois soprou o outono, espalhando folhas, transportando-nos, sementes que onde caíram seguiram o codificado ciclo, semeando a vida, escrevendo a repetida história. Como a história infantil, algumas não resistiram e caíram mais cedo, nas águas do mar, no deserto escaldante, ou nas neves eternas das montanhas.
-“O vôo das andorinhas desenhando em minúsculos pontinhos pretos as tardes da nossa infância, o cruzeiro da igreja, as ruas de calçamento polido que se alongavam até Recife, até Fortaleza, até São Paulo...”
Ele se foi, como tantos, não aguentou a barra, sequer se despediu. Outro foi vítima da violência gratuita e irresponsável que varre o Brasil como vento mau. Os retratos, são soprados adiante no céu de lembranças, na manhã petrificada, no cruzeiro de madeira enegrecida, enquanto os sinos badalam e lenta procissão atravessa a antiga rua Major Joaquim Alves.
As ruas de pedras polidas por onde seus passos correram ligeiros e de onde um dia partiram, agora os recebe de volta.
As pipas coloridas estão desaparecendo dos céus.
As andorinhas se recolheram aos campanários.
No interior da velha igreja azul, os santos rezam em vigília.
Deus proteja as nossa crianças!
José Bitu Moreno
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