quinta-feira, 19 de junho de 2014
na casa branca da Vó Branca
" Vó Branca em seu traje habitual -vestido longo com estampados de flores grandes mas de discretas cores-, de manhã bem cedo já estava de pé, junto com os galos e o tilintar de chocalhos das vacas no curral, ao lado do fogão à lenha, fazendo o café e preparando tapiocas, retiradas quentinhas da panela de barro por sobre o fogo da lenha. Cheiro de café, tapiocas saborosas com manteiga da terra, leite ainda morninho do calor dos ubres das vacas, cheiro de terra orvalhada, mugidos do gado na impaciência de ir para o pasto... Assim, começava o dia na casa Branca, da vó Branca.
Passeando pelas trilhas do mato, o roçar nas folhagens nos salpicava de orvalho, causando breves arrepios de frio. Era tão bonito: nas conchas das florzinhas silvestres, coloridas, o orvalho teimava em se equilibrar, espreguiçando-se, enquanto lavava as folhas de delicada textura, para receberem os primeiros raios de sol. Sol que acordava os pássaros -sabiás, graúnas, canários-, que flutuavam na arcada de cada raio. Efusivas manhãs, pudicas, virgens, primeiras...manhãs que jamais deixariam de assim ser.
Pelos caminhos de terra, pelas cercas de madeira escura, trançadas, reparadas, rústicas, pousavam galos de campina espiando as flores e as borboletas, várias, elegantes, etéreas...enquanto a estrada seguia o seu curso, como noiva."
José Bitu Moreno
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