Grande parte dos que lá trabalhavam, não tinha como enfoque o homem, a pessoa, mas a doença, o tipo de urgência, os procedimentos técnicos. Muitas vezes fiquei em temerosa espera naqueles corredores e salas vazios esperando o barulho da sirene, o correr apressado de macas, o corpo ensanguentado, os membros da família apavorados, o murmurar incompreensível da vítima misturado a cheiro de pinga... Muito me marcou a pobreza, a tragédia vária, a crueza e a comicidade de situações que igualhavam o homem a estúpidos objetos à mercê do destino desgovernado e marginalizado. A indiferença e o descaso eram o escudo dos responsáveis pelo cuidado.
José Bitu Moreno
Nenhum comentário:
Postar um comentário