quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reflexões sobre a profissão


"Acreditei que tornar-se homem era somente a consequência de ser, de existir? Como se cada experiência por que passei tivesse deixado uma marca que tivesse sido automaticamente codificada com um ensinamento a mais, de forma que me tornasse ao final um homem melhor e mais sábio?
Não teria de ter sido também uma construção voluntária, suada, pedra sobre pedra? Ao tentar ser sempre melhor profissionalmente, investi paralelamente em me tornar um ser humano mais completo? Existiria na realidade essa separação entre pessoal e profissional, que me foi ensinada? Poderia na realidade ser um bom médico, sem que tivesse avançado no entendimento do meu próprio ser e do mundo que me cerca?
Como decifrar o seu segredo, meu bom amigo, como entender a dor, como facilitar o caminho para a cura de sua enfermidade, se eu ainda sequer entendi o que sou e onde estou?
O homem não é máquina.
O mundo é tampouco máquina..."

Trecho do livro "Camisa nova, seu doutor?" de José Bitu Moreno

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