***Era tarde de um dia ensolarado de inverno mas com traços gazeados de névoa borrando o horizonte distante.
Caminhei pelo píer da Santa Mônica, de encontro ao Pacífico, as tábuas sobre o mar encorajando os passos.
Turistas, gaivotas e pelicanos cruzavam o caminho - recados do outro lado do mundo, do Atlântico de onde vim?
Fui adiante mirando o mar esmeralda, camadas sobrepostas de metal encimadas por ondas de espuma alva, cristais em profusão, brilhantes, diamantes, faiscando aos raios do sol poente.
Um banco de madeira, vazio, solitário, se voltava para o mar onde um golfinho se divertia.
Um pelicano descansava no alto de uma estaca de sustentação do píer, de onde podia ver a praia de banhistas repleta
Ao final do longo estrado de madeira, último posto da rota 66, parei deslumbrado ante o Pacífico - estava na outra ponta, do outro lado da história, olhando para o horizonte insinuado, que a névoa encobria.
Fui invadido por suas águas, pelo mistério de não haver barra, linha, horizonte, como se me trouxesse um mundo indefinido, impreciso, pleno de possibilidades e de segredos.
Entrou em mim como a brisa, largo, belo, imenso...fumaça,incenso...vasto mundo, vida vasta...
não, não pararia ali, não poderia, não seria o final de rota, apenas o recomeço...o faisão dourado plaina sobre as montanhas adiante, alhures, em outras terras, de outros sonhos...e me chama
José Bitu Moreno