quarta-feira, 4 de junho de 2014

Ode à vida



Uma "ode à vida e ao planeta Terra", assim classifico esse trecho magistral, fundamental - por sua lucidez, singeleza, simplicidade e sabedoria- do grande filósofo alemão Karl R. Popper.


"Atribui-se a um dos primeiros astronautas que participaram da primeira alunissagem uma observação simples e inteligente que ele teria feito após seu retorno (cito de memória): "Também vi outros planetas em minha vida, mas a Terra é o melhor". Creio que isso não é apenas sabedoria, mas sabedoria filosófica. Não sabemos como se deve explicar ou se é que se pode explicar que vivamos neste pequeno planeta maravilhoso, ou por que há algo como a vida que torna nosso planeta tão belo. Mas aqui estamos nós e temos toda razão para nos maravilhar com ele e ser gratos por ele. É, de fato, um milagre. Por tudo o que a ciência nos pode dizer, o universo e quase vazio: muito espaço vazio e pouca matéria; e, onde há matéria, ela está quase em toda parte em turbulência caótica e é inabitável. Pode haver muitos outros planetas que abriguem a vida. Mas, se escolhermos ao acaso um lugar no universo, a probabilidade (calculada com base em nossa cosmologia atual) de encontrar um corpo que seja portador de vida é quase zero. Portanto, a vida, em todo caso, tem valor de raridade: e preciosa. Tendemos a esquecer isso e a subestimar a vida, talvez por distração, ou talvez porque nossa bela Terra esteja m pouco superpovoada.
Todos os homens são filósofos, pois assumem uma ou outra posição perante a vida e a morte. Há aqueles que consideram a vida algo sem valor porque ela tem um fim. Não percebem que o argumento contrário pode ser igualmente alegado: se não houvesse um fim, a vida não teria nenhum valor. Não percebem que, em parte, é o perigo sempre presente de perder a vida que nos ajuda a apreender a vida".

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