domingo, 15 de junho de 2014
sobre o preconceito
"Costumo falar, para o espanto de alguns, que pelos lugares onde morei, sempre fui vítima de preconceitos: Marília, Freiburg, Frankfurt...velado, disfarçado, às vezes explícito.
Na Alemanha, por ser brasileiro. Em Marília, por ser nordestino, baixinho, com sotaque carregado, fala arrastada, sobrenome esquisito, classe média baixa, e "metido", como sempre me dizem.
"Metido por quê?", não entendia bem. "Será porque quero ser uma pessoa e profissional diferenciados? Eu não posso ?".
Nessa cidade pequena e provinciana, encontrei "ainda" muitos representantes de uma casta que se acha superior, os nobres, os tradicionais.
Na Famema, meu lugar de trabalho, muitos, com boas exceções, é claro. Lógico que a gente sente, mas nunca deixei que interferisse na minha vida. Com muito mais esforço que um "nobre" daqui, precisei construir minha carreira e demonstrar meus valores. Todos os dias precisei provar novamente e muitas vezes que sou capaz. Óbvio que se o meu currículo de hoje pertencesse a um "nativo", seria muito mais aplaudido e reverenciado. Teria tido mais oportunidades, seria mais considerado.
Mas sei que essa história não é somente minha. Que muitos que por acaso leiam esse curto texto, sofrem bem mais preconceitos e injustiças. Bem mais!!!
O meu propósito é o de dizer que não aceitem isso, que não sejam passivos e resignados.
Que lutem contra isso.
Lutem contra gestores e locais de trabalho que não respeitem a diversidade humana.
Lutem contra a intolerância, a violência e a perseguição política no trabalho.
Sou compreensivo, quieto e afeito ao diálogo, até o ponto que afrontem a minha dignidade, daí faço enfrentamentos com quem quer que seja. Como fiz muitos, aqui na Famema. Não tenho medo e não recuo.
"Por isso metido, por isso acusado de intolerante?"
Estou seguro agora, sei o que posso e e o que quero. Construí -junto com a minha família- meu caminho, minha história: reta, honesta e verdadeira.
E gostaria muito que todas as nossas histórias tivessem um final feliz.
Mas para isso devemos nos levantar da nossa comodidade, da nossa zona de conforto, e construir cada um o seu caminho."
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