sábado, 21 de junho de 2014

as fragâncias, a memória


            "A laranjeira ficava ao pé da cerca, a poucos metros da casa.  Estava sempre verde. Quando florescia, outras flores não havia em delicadeza e perfume. As pétalas sedosas, alvas, destacavam-se contra a tosca cerca de madeiras escuras e arame farpado, sobre a qual se apoiavam.
             Ao anoitecer, com os ruídos do dia se recolhendo, colhíamos folhas para o chá. Vó Branca o preparava, e tomávamos em pequenos goles de tão quente, soprando, cuidadosamente, e sentindo aquele aroma doce e tranquilizante. Vó falava que era bom para os nervos, e um bom sonífero. Depois caía a noite de estrelas.
             E assim, ficaram com esse cheiro todos os crepúsculos, fragâncias que a memória exala, e que nos acompanham em todos os cantos, vida afora..."

José Bitu Moreno

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