Na rampa do Pronto Socorro uma velha ambulância para, o motor resfolegando como um animal cansado. Das portas traseiras - que rangem como as de um velho guarda-roupa - um paciente é despejado. É um caminhão adaptado, quente e desconfortável - essas as ambulâncias que transportam vidas entre hospitais do vasto interior do Brasil.
Um conhecido, ao voltar numa dessas ambulâncias após seção de quimioterapia em outra cidade, foi ejetado para fora de carroceira durante um solavanco, e caiu surfando de costas na maca rasteira pelo asfalto abaixo.
Sobreviveu ao acidente e à leucemia.
Sobreviveu às estradas bexiguentas do Brasil, repletas de buracos.
Esses velhos furgões, chamados de ambulâncias, transportam a incompetência e a irresponsabilidade de um lado para outro, tratando os cidadãos como objetos a serem descartados, problemas a serem transferidos, camuflados, despejados.
Gestores públicos do Brasil cumpri com as vossas obrigações de proteger e de cuidar dos cidadãos brasileiros !!!
A urgência e a emergência de cada município, é de vossa responsabilidade. Ao transferi-las de uns para os outros, enchei as nossas estradas de cruzes e de covas rasas!
José Bitu Moreno
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