quarta-feira, 2 de julho de 2014

riacho do Machado



E quando chovia por dias seguidos, renasciam como por milagre os riachos. De repente lá estavam: riacho do Machado, riacho do Meio, Mocotó, riacho do Feijão, e da Fortuna... O riacho do Machado era tão somente um esquálido riacho na maior parte do ano, mas se chovia bem, virava valente e escandaloso. Passado o tempo das chuvas, perdia as forças e ia minguando, minguando, pouco a pouco se desnudando, até mostrar de todo e sem recato o seu leito branco...Dava pena vê-lo assim! Vezes sem fim como que perdia de vez as forças e quase morria. Mas de pena e novena era o que menos carecia aquele riacho, bastava que se ouvisse na barra os trovões, ou que chicoteasse os ares um relâmpago, de pronto estava ele lá, de tocaia, retesado e nervoso - era o seu espírito que nunca morria, e que o guardava nos dias de seca, seu rumo e seu prumo, de modo que com as primeiras águas era como um próprio arco que se diparasse em flecha, ou como um machado que se pusesse a limpar como louco as margens, pois passava derrubando arbustos, transportando troncos e tudo que estivesse ao alcance das aguas. Era como um vaqueiro que descesse correndo ate alcançar suas próprias águas, depois seguisse aboiando e enchendo a terra de magia. Enchendo as várzeas, ungia aquelas terras de fartura. O riacho do Machado era igualzinho ao rio Nilo.

José Bitu Moreno

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