quinta-feira, 17 de julho de 2014

na cidade dos mortos

Na cidade dos mortos, tomamos a rua das gardênias: a história da mãe que velou vida em fora a morte de Pedro, recém-nascido, de apenas um mês de vida; e que depois chorou a morte do outro, o jovem Ely, na flor dos vinte e três anos. Das Gardênias passamos à rua dos Lírios até o lote nove de Anna, Emílio e Mingo; No céu, no horizonte, coroando o vaso de flores sobre a branca lápide, em perspectiva: primeiro Netuno, depois Urano - nenhuma nuvem que nos separasse. Ajoelhados, rezamos ao divino, fizemos oferenda, deixamos alimento aos espíritos e depois procedemos adiante a visita. Pelo caminho, gerações sucedidas em urnas sobrepostas, casas, vilas, sobrados - o mausoléu dos doze por doze defuntos habitado; Quando enfim chegamos ao destino: a morada de Aurélio e Odete, que ensaiaram em vida um romance - casaram, tiveram filhos e morreram, cada em sua vez, cada em sua tristeza, sozinhos, com Deus.

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