sexta-feira, 4 de julho de 2014

na piscina azul da Vó Ju - 1



A piscina azul no quintal da Vovó Ju,
Voz de Vô Valdir tonitroante preenchendo espaços
Jardim de frutas de Manuelita, a tartaruga
Reino encantado de Caco, o papagaio
Canários e casinha de Tio Mingo, a um canto

Lá tem pés de caqui, manjericão e acerola,
Pés de jaboticaba, figo e manga rosa
Que circundam o espaço azul da piscina, protegendo, apurando
Enquanto a folhagem verde-escura se debruça
mirando-se no espelho d’água

De dentro do segredo azul
Nasceu o cortado do céu, o firmamento
que cobre exatamente esse espaço;
De forma que um vira o outro, intermitentes:
ora piscina, ora céu, e vice-versa

Quando flutuamos em um,
o outro aparece direto, sem cortinas;
A piscina pode até mesmo virar mar, de muitas ondas,
Quando chegam em algazarra as crianças
e pulam sem jeito em sua água

Ou pode tornar-se rio, imenso, silencioso,
Correndo por entre árvores, de muitas folhas;
Guardando dos  pássaros as cores e o canto;
Sempre atento às ordens de Caco, comandante e
seguindo a rota de Mingo, o almirante

Tio Mingo de tantas rugas, afinou, emagreceu
Como folha que no outono amarelece;
O canário na gaiola, emudeceu, ambos velhos:
Mingo e o canário
se dissolvendo contra a parede do quintal,
se confundindo na cor neutra entre as trepadeiras

Rio, lago, céu, ou mar, ninguém sabe ao certo
Nem mesmo Caco, sequer sabia Preta
A cachorra companheira, que bebia cerveja
Junto ao Vô Valdir, enquanto anoitecia
E Manuelita fechava a cortina do dia

Aquele espaço é um reino de muitas maneiras:
De plantas, bichos, príncipes e princesas;
Tem Cacá, a menininha, André o sapequinha
Júlia e os Joãos (Víctor e Pedro), todos tornados duplos,
Um o adulto que se torna, outro a criança que ficou

José Bitu Moreno

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