A doutora falou, do corredor escuro alguém gritou - havia um paciente morto!
De maca em maca, tocando os corpos, procurou o defunto.
Assim, pelo tato, chegaria ao corpo frio - sem mais calor, sem vida.
Um após outro, descartando, já se sentia até feliz: ninguém morrera, como anunciado.
Enquanto assim procedia lembrou do que falara um estudante:
-Doutora, isso aqui parece o purgatório, das tantas mãos que se erguem das macas
das sombras, suplicantes, enquanto passamos.
Mas eis que ao toque percebe o frio da morte, estático, imóvel, inconfundível...era verdade
A vida se fora, assim anônima, sem luz, sem cerimônias
Na solidão do Pronto Socorro lotado
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