quarta-feira, 2 de julho de 2014

rigor alemão


Percebi que já a cerca de 60 metros ela parecia nervosa e me olhava apreensiva. Parecia incomodada e como que lutava por tomar uma decisão, reação que li nos olhos inquietos, quando já distava de nós uns 20 metros. Era uma mulher jovem, que trajava um comportado conjunto de saia, blusa e jaqueta, do mesmo tom creme, e sapatos pretos de saltos. Eu diria que trabalhava em banco, ou nalguma repartição pública alemã e que estava em pausa do almoço. Quando a nossa aproximação se intensificou mais, e a sua perturbação atingiu níveis insuportáveis, à beira de uma decisão súbita e tempestuosa, afastei-me um pouco para trás das duas crianças, de forma que ficamos em fila, arranjando-lhe um espaço para que passasse - no lado certo da sua mão de tráfego, desde que eu estava desaforadamente na sua linha preferencial. À partir desse exato momento, senti as linhas retesados do seu rosto relaxarem, precipitando até a formação de um sorriso e os olhos se desanuviarem, agradecida que estava pela continuidade da organização espacial do seu dia e relaxada por termos sido tão somente uma ameça projetada que por sorte não se confirmou.

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