terça-feira, 22 de julho de 2014

aos amigos da noite escura

Um brinde aos amigos da noite avançada, do avesso, do errado
Amigos do riso, da ilusão, do palco e do picadeiro, da dor e do desespero
Amigos do passado humilde, da modesta escola, dos pés descalços, dos tristes Natais, das noites de frio e das dificuldades,
Amigos que jamais se enquadram, que chutam o tapete e desprezam etiquetas
Que também construíram, venceram como se diz, mas não frequentam igreja, não rezam, nem tomam chá com bolachas ao cair da tarde
Um brinde aos amigos calejados, vitoriosos, fracassados, de tanta luta marcados - cicatrizes, traumas, dores-fantasma
Que afrontam e dominam, mas com o tempo desistem, do demasiado sol, da ordenada vida; ou por sabedoria dão um basta ao exagero, ao dinheiro e à avareza...
A vocês, meus amigos, ao velho boteco do Sato que nos agrupa, aos poetas, aos pubs, aos bares - um brinde, um forte e afetuoso abraço

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