Seu Antônio tinha uma filha, Jacinta, e uma esposa que se tornou louca. Moravam numa casa nos arredores da cidade, margeando estreita ruela de terra, a uma distância da qual se podia vê-la dos fundos das lojas da rua principal, que lhe davam as costas.
Era uma casa de taipa, de chão de barro, com um jardim bem cuidado, de exuberantes rosas vermelhas.
Jacinta tinha cabelos pretos, longos e lisos, até a cintura, os olhos e as feições de india, como a mãe, e dava sempre a impressão de pertencer a uma outra epoca, que houvera então nascido por mero descuido, escapara, era somente uma personagem de uma historia, e que portanto nao estava valendo dessa vez a vida.
Ela e a mãe, viviam juntas, calavam-se juntas, vieram juntas para viver entre as flores e as paredes toscas, e na limitação de uma vida que era somente silêncio e doença .
Sua mãe escavava a parede de barro para comer. Sua mãe rasgava a roupa do corpo e vivia com a nudez mal escondida por trapos, um fantasma, branca e magra.
Jacinta era sua mãe. Seu Antonio era o silêncio . Essas três criaturas não eram desse mundo.
(José Bitu-Moreno)
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