segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Até que o tempo a tudo esqueça


Pelo hospital de paredes amarelo-escuras ouço o incessante martelar nas paredes
da enfermaria em reforma
Enquanto espremidos em leitos estreitos e enferrujados
pacientes internados minguam com parcos recursos - medicamentos vitais, acessórios básicos.
Enquanto no pronto socorro, na UTI, muitos se enfileiram, peças de dominó, esperando atendimento
No futuro um jovem médico aqui passará e quiçá não ouça sob as camadas sucessivas de tinta os gritos emudecidos do passado
Pisará sem perceber onde outrora macas foram leitos 
e tantos morreram sem socorro
Satisfeito com o mármore e o granito não perceberá que na verdade são lápides
de um período em que vidas significaram menos que construções
É, ele não saberá, o presente que agora vivo passará, eu passarei 
E todas as injustiças e sofrimentos aqui perpetrados também serão esquecidos
lamentavelmente

Nenhum comentário:

Postar um comentário