quarta-feira, 29 de abril de 2015
Reconhece o barulho da chave na porta;
Reconhece os passos, pressente o cheiro;
Ouve até a fala ainda não formulada;
E seu grito ecoa por todo o apartamento;
Alegre, urgente, estridente;
Súbito, desvencilhando-se do grito,
Surge a criatura ágil, roliça, miúda,
Esbaforida, no próprio limite – só sorrisos;
E seus braços me envolvem – essa árvore já encurvada;
E seus beijos são pássaros, pequenos, em bando;
Pousando nos já encrostados galhos;
Mas então se desgarra,
E correndo é agora impaciente pônei,
Que dispara pelo espaço imaginário,
Sem cercados, para bem longe,
Do meu alcance.
(José Bitu Moreno)
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