domingo, 19 de abril de 2015

O último aniversário do Soldadinho-do-Araripe

Corre lépido e sinuoso, declive abaixo,o riacho de águas claras margeado por densa folhagem verde. É bem raso, somente uma fina lâmina d'água sobre um leito de pedras lisas e lodosas; O pequeno pássaro pula do ninho flutuante, ancorado numa das margens, para o banho matinal O sol é manso e se filtra entre as copas das árvores O pequeno pousa no riacho raso e, cantando, abana fremente as asas azuis, esparramando gotas translúcidas de água no corpo de branco incólume e na cabeça de vermelho puro Poesia e magia, espetáculo único e belo, parece até que naquele instante das margens, a espessa folhagem; do alto, o azul do céu sem nuvens, existem somente para venerá-lo: o milagre, o aniversário do singular ser Que dos infindáveis lugares deste vasto mundo somente ali ainda existe, o passarinho, o Soldadinho-do-Araripe, Que vive rodeado de sertão, de sol tórrido e de aridez, mas naquele oásis, na chapada do Araripe, houve de encontrar o seu reino E ali mesmo, onde houve o milagre da vida, corre o risco de desaparecer Como assim? De definitivamente sumir, ser exterminado, depois de um inquebrantável elo de milhões e milhões de gerações, levando adiante esse espetacular projeto de vida ? Logo ali num sertão de tanta seca e fome e morte? Sertanejos bravos e de bom coração, poetas conterrâneos, sábios, acudam o pequeno pássaro, não deixem que no coração do sertão o milagre da criação seja assim tão aviltado e renegado Salvem o Soldadinho-do-Araripe do extermínio, da extinção! José Bitu Moreno

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