sábado, 31 de maio de 2014

Homenagem póstuma

Acordei e logo saí para a caminhada; na próxima esquina encontraria o Tião, que com um sincero e acolhedor sorriso me saudaria.
Cruzei a esquina, olhei de lado - a revistaria, a quitanda, a barbearia...onde o Tião?
O pequeno homem, de nariz adunco e sorriso fácil, por onde andaria? Segui o caminho, a cidade continuava - mesmo sem Tião - nada faltava, os passos se sucediam, pássaros cantavam...
Algo tingiu a face impávida da manhã?
Nada, no seu rrecurso infinito de sempre voltar a ser - a mesma.
Mas como um incômodo, o Tião faltava.
Ah, fugidia memória, alguém me contara:
- O Tião morreu!
- E na esquina tudo continuava normal - o armazém, a quitanda, o jornaleiro?
O Tião como uma folha que caiu, esgotou sua serventia, o vento o levou, foi ser alimento do mundo, do universo.
Aqui deixo a minha vênia, ao pequeno Tião, o barbeiro, e um ajuste -
- A sua digital riscou, tingiu a placidez da manhã, não se percebe, é assim mesmo, são os nossos olhos que não conseguem ver.

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