Em Las Vegas
Do alto da janela do hotel, o quarto em penumbra, cerrado com pesados blindex, posso perceber um distante rumor do mundo, pressentir o frio que se esconde nas sombras, o sol que advoga um céu sem nuvens, espelho do deserto que cobre.
As luzes de néon já estão acesas, ou melhor, não se apagaram.
Imagino as ruas já se enchendo de risos, os cafés repletos de caras pesadas que aos poucos se desanuviam, a retroalimentação da máquina, que nunca dorme, sedenta, sequiosa...
Tudo é caro, tudo custa, o luxo, o sexo fácil, a casamento drive, as garotas oferecendo bebidas entre os caça-níqueis, os tapetes abafando a crueza do dia, a penumbra fabricada, a euforia do álcool, os shows, os gritos isolados de um vencedor, a ilusão da vida fácil, os shopping artisticamente dispostos, o belo, o glamouroso, o imediato, o circo, o espetáculo...e no subterrâneo os tentáculos invisíveis da máquina manobrando, articulando, lucrando, comandando tudo...
Mundo artificial, mundo da ilusão, do tamanho dos nossos vícios, dos nossos monstros, do nosso avesso escondido.
Mundo nosso real, que se esconde bem no fundo de cada um de nós.
José Bitu Moreno
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